Abril pro Rock em Recife (PE)

AD Luna, colaborador especial do showlivre em Recife (PE) comenta sobre o Abril pro Rock e as suas frentes musicais múltiplas.

“Apesar de momentos de cansaço, grande parte do ótimo público que compareceu à primeira noite do Abril pro Rock, que aconteceu na sexta (15/04), no Recife, curtiu até o fim a já tradicional noite dos sons pesados do festival. O evento contou com atrações nacionais e internacionais de estilos como punk, crossover, thrash e death metal.
Abrindo a noite, as bandas pernambucanas Cangaço e Desalma, e a cearense Facada iniciaram as rodas de pogo e o balançar de cabeças no salão do Chevrolet Hall – local semelhante às casas paulistanas Credicard Hall e Via Funchal, porém com acústica inferior a estas. Depois dos nordestinos, o anúncio do grupo brasiliense Violator provocou gritos de saudação e corridas para a frente do palco. Formado por jovens músicos, o quarteto mostrou grande entusiasmo provocado tanto pela alegria em estar de volta ao Recife, depois de quatro anos – como afirmou o comunicativo vocalista Poney Ret -, quanto pela recepção calorosa do público. Apesar de o som não ter contribuído (a caixa da bateria, estava baixa, por exemplo), os rapazes mandarem bem com seu som calcado no thrash metal mais agressivo e oitentista de artistas como o alemão Kreator e os americanos Overkill e Nuclear Assault.
Ao iniciar sua apresentação, os paulistas do Torture Squad trouxeram consigo uma sensível melhora na qualidade do som enviado para o público: tudo ficou mais alto e claro. Podia-se ouvir melhor o grande trabalho de bumbos duplos e a criatividade de Amílcar Christófaro, baterista e professor deste instrumento, e os urros musicados do vocalista Vitor Rodrigues. Curioso ver como Rodrigues interpreta gestual e facilmente as agressivas, porém reflexivas, letras do Torture.

Amilcar do Torture Squad - foto por Rafael Passos
A “destruição” provocada pelo Torture Squad parece ter deixado o público um tanto quanto cansado para receber o Musica Diablo, de São Paulo. Tendo à frente o também vocalista do Sepultura, Derrick Green, a banda fez uma competente apresentação, porém pegou o público cansado, talvez guardando forças para a atração seguinte.
Os americanos do Dirty Rotten Imbeciles (D.R.I) acordou o povo que estava deitado e disperso pelos cantos do Chevrolet Hall. Com sua mistura de metal com hardcore – o chamado crossover -, os veteranos provocaram grande pandemônio em frente ao palco, com camisas pretas “dançando” o pogo e corpos sendo levantados ao ar. Depois do Recife, o D.R.I tocaria ainda em Belo Horizonte e São Paulo.
O Misfits encerrou a noite com um show empolgante. Comandado pelo único membro original, o baixista e vocalista Jerry Only, o trio quase não deixou espaço para o público respirar, tocando uma música atrás da outra, sem grandes pausas. O visual estilo filme de terror B dos americanos foi imitado por pessoas da plateia. Mesmo com suas mais de trinta décadas, o punk horror do Misfits mostrou estar sintonizado com a garotada dos anos 2000.

Jerry do Misfits - Foto por Rafael Passos

Música conecta gerações no último dia do Abril pro Rock

Uma das coisas mais maravilhosas e ricas da música é sua capacidade de conectar pessoas, culturas, gerações. Exemplo disso aconteceu na noite de encerramento da 19o edição do festival Abril pro Rock, neste domingo (17/04), no Recife. Com quase cinquenta anos de existência – mas com uma formação bastante diferente da original -, o lendário Skatalites levou ao delírio cerca de cinco mil pessoas que compareceram ao Chevrolet Hall. Devido à festejada e explosiva apresentação anterior – da banda olindense Eddie -, pairou no ar a impressão de que o show dos mestres do ska ficaria deslocado como atração principal.
Mas, lá pela terceira música tal sensação foi totalmente dissipada. Sob um poderoso som de metais, ancorado por uma sólida base de guitarra, baixo e bateria, os jamaicanos conseguiram se sintonizar com a vibrante energia e alegria do jovem e colorido público que encheu o salão para vê-los. Aliás, para quem torce para a ampliação e fortalecimento do cenário musical recifense ver uma moçada com idades próximas a do nascimento do próprio Abril pro Rock é bastante animador.
Voltando ao show… Por focar boa parte do seu repertório em temas instrumentais, a música do Skatalites é do tipo “ouça, dance e aprecie”, tal é a qualidade da execução e do balanço. As partes cantadas foram comandadas pela carismática senhora Doreen Shaffer. A bola fora da apresentação foi a banda não ter atendido ao insistente pedido do público para que voltassem ao palco, depois do final do show. Sobraram até vaias. Mas, nada que tenha abalado a boa impressão deixada anteriormente.
Nos outros shows da noite, a curadoria do festival enfatizou a presença de novos nomes da música brasileira. Gente como a cantora Tulipa Ruiz e a banda Holger, de São Paulo; os pernambucanos Mamelungos e Feiticeiro Julião, além da baiana radicada em Pernambuco Karina Burh. Essa prática de dar vez a grupos iniciantes era bastante comum nas primeiras edições do evento. Naquele longíquo tempo, os pobres e dependentes artistas novos ficavam ansiosos por terem seus trabalhos vistos e ouvidos por “olheiros” de gravadoras, principalmente das multinacionais. Hoje, quase ninguém dá a mínima para tais seres. Se é que eles existem ainda.
Falando em Karina Burh, esta vive uma ótima fase na carreira solo com constantes elogios da crítica e boa agenda de shows. Garota esperta, ela tem ciência da importância de se montar um grupo de músicos capazes de interpretar com maestria suas ideias musicais. Entre outras feras, sua banda conta com o ex-guitarrista do Ira!, Edgar Scandurra.

Scandurra e Arnaldo Antunes - foto por Rafael Passos

O já citado Eddie, apesar de seus mais de vinte anos de criação, consegue se manter conectado às novas gerações. Além do público interagindo em todos as músicas, o show deles também contou com a participação de Erasto Vasconcelos (irmão do percussionista Naná), e os ex-integrantes da banda Karina Burh e Rogerman. É a chamada “brodagem” pernambucana em ação!
Focado na estética jovem guarda de Iê Iê Iê, álbum produzido por Fernando Catatau e lançado em 2009, Arnaldo Antunes pôs o público pra dançar animadamente. Também era possível ver e ouvir a moçada cantando várias letras do referido CD. O cantor caruaruense Ortinho fez breve participação no show do ex-Titã. Antunes é outro artista que tem conseguido fazer a ponte entre gerações. Além da incursão pelo antigo rock sessentista nacional, isso se evidencia na presença do outrora citado Edgar Scandurra e dos talentosos instrumentistas e compositores Curumin, na bateria, e Marcelo Jeneci, nos teclados.
A vida vivida e compartilhada por gente de várias gerações é muito mais interessante e rica!”

por AD Luna

Programação musical da Virada Cultural Paulista tem rock 90’s e a nova MPB

A Secretaria de Estado da Cultura anunciou detalhes e atrações da quinta edição da Virada Cultural Paulista, que acontece nos dias 14 e 15 de maio em 22 cidades do estado de São Paulo.

A Virada Cultural Paulista 2011 será realizada nas cidades de Araçatuba, Araraquara, Assis, Botucatu, Caraguatatuba, Franca, Indaiatuba, Jundiaí, Marília, Mogi das Cruzes, Mogi-Guaçu, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santa Bárbara D’oeste, Santos,Santo André, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba.

Tulipa Ruiz - Foto: Duca Mendes

Na programação de 2011, destaque para grandes nomes da música brasileira como Fafá de Belém, Renato Teixeira, Angra, Jamelão Neto e Charlie Brown Jr., que participam pela primeira vez da Virada, entre muitos outros. Além de novos nomes como Maria Gadú, Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Thiago Pethit, Lulina, Les Pops, Luisa Maita e Karina Buhr. Como na edição passada, a Secretaria de Estado da Cultura traz atrações internacionais. Para este ano, a Virada conta com shows de Agnès Jaoui, Pink Martini e a banda Superchunk.

Superchunk vai se apresentar em Mogi das Cruzes e Sorocaba. A banda Pink Martini apresenta um mix de música clássica, jazz e clássicos em Piracicaba e São José do Rio Preto.

Superchunk - Divulgação

Maria Gadú leva seu repertório para Araraquara. Outro destaque é a veterana Fafá de Belém, que comemora 35 anos de carreira com o público de Araçatuba. Estão confirmados shows de Tulipa Ruiz em Araçatuba e São Carlos. O multiinstrumentista Marcelo Jeneci se apresenta em Araraquara e Indaiatuba. Completam o time Thiago Pethit (Mogi das Cruzes), Lulina (Santa Bárbara), Luisa Maita (Mogi das Cruzes e Santa Bárbara), Karina Buhr (Santos e São Carlos) e Les Pops (São José dos Campos).

A Virada também aposta nas novas bandas. Apanhador Só se apresenta em Marília e São José do Rio Preto; Do Amor tem show marcado para São Carlos; Guizado vai para Jundiaí, Vega em Indaiatuba e Vespas Mandarinas em São José do Rio Preto.

Inspirada na Virada Cultural da capital, a Virada Cultural Paulista foi lançada em 2007 em 10 cidades, que receberam 381 atrações. Em 2008, mais de 740 mil pessoas compareceram à Virada em 19 municípios e puderam conferir 476 espetáculos. Na edição de 2009, o público presente nas 20 cidades ultrapassou a marca de um milhão de pessoas, que conferiram mais de 560 atrações. Em 2010, a Virada atingiu a marca de 1,6 milhão de pessoas. Para 2011, a expectativa é atingir o mesmo número de público.

A programação prévia está publicada no site www.cultura.sp.gov.br e www.viradaculturalpaulista.sp.gov.br

Retro-expectativa Showlivre 2010

O showlivre.com produziu mais de 200 programas com apresentações memoráveis de artistas de todos os gêneros, tamanhos e afinidades.
Tivemos desde uma big band de ska (Orquestra Brasileira de Mùsica Jamaicana) até one man band (Zeca Viana), todos apresentando seus trabalhos ao vivo e captados pela nossa equipe técnica num belíssimo padrão de áudio e vídeo.

Todas as apresentações trouxeram seu brilho e sua energia. Algumas, por diversos motivos, ficaram marcadas na equipe do showlivre.com.
Escolhemos 15, das centenas que produzimos, que exemplificam tanto a diversidade musical, quanto a proposta de levar a boa música para todos.

Aproveitem:
Obs: A lista está sem critério de ordem, é apenas uma lista de coisas bacanas para você curtir..

Aerocirco – “Ninguém vai desistir de você” (14/09/2010)

Marcel Powell – “O morro não tem vez” (03/08/2010)

Vinicius Calderoni – “Vou mandar pastar” (23/03/2010)

Ailaika – “Magnólia” (21/12/2010)

Tulipa Ruiz – “A ordem das árvores” (28/07/2010)

Jair Naves – “Carmen, todos falam por você” (25/10/2010)

Los Porongas – “Tudo ao contrário” (13/08/2010)

Rosie & Me – “Come back” (23/11/2010)

Miranda Kassin e André Frateschi – “Deixa-se acreditar” (9/11/2010)

Clarah Averbuck – “Tell me something good” (31/08/2010)

The Name – “Let the things go” (10/08/2010)

Funk Como Le Gusta – “Funk de bamba” (12/05/2010)

Vanguart – “Desmentindo a despedida” (16/11/2010)

Musica Diablo – “Twisted Hate” (15/09/2010)

Apanhador Só – “Bem-me-leve” (8/09/2010)

Das mídias sociais para a contestação pública

Clemente Nascimento, diretor-artístico e apresentador do showlivre.com, agitou e presenciou a manifestação que aconteceu ao meio dia da segunda-feira paulistana.
Do repúdio pelas cenas tristes com a truculência e o non-sense da lei paulistana que proíbe manifestações artísticas pelas ruas ao movimento à manifestação pública, foram alguns posts.
Acompanhe o relato de Clemente:

Hoje foi dia de me lembrar dos meus tempos de militância política e de luta contra a ditadura e de confirmar, que era muito bom ser jovem, pois não é para qualquer um participar de uma manifestação sob o sol do meio-dia em plena Av. Paulista!

Sintese da manifestação - foto Daniel Neves


Organizada pelo grupo RMB, “Repúdio a Proibição dos Músicos e Artistas de Rua em São Paulo”, o ato era contra uma lei absurda da prefeitura de São Paulo que proíbe a apresentação de artistas pelas ruas da cidade. A movimentação toda começou pelo facebook, quando vi uma foto publicada pelo Tibira, sócio do Vegas, onde Rafael Pio, guitarrista que há anos sobrevive tocando pelas ruas da cidade, sendo preso por dois policiais de forma truculenta, guitarra no chão e Pio sendo algemado. É claro que também tratei de postar a foto e expressar minha revolta.  Quando percebi já estava convocando todo mundo para a manifestação de hoje debaixo do MASP. Como diria Robin, “Santa Militância Batman!”, por isso hoje tratei de perder o almoço e saí todo para minha primeira manifestação sob os louros da democracia.

Movimentação na Av. Paulista


Cheguei esbaforido sob um calor escaldante, logo vi a Kathe, minha namorada, perto do que parecia ser uma discussão mais ríspida entre um palhaço e um policial militar. Será que o policial não tem mais o que fazer, do que discutir com um palhaço de rua? É claro que tem. Eu, Kathe e, mais ou menos, 500 manifestantes, onde tinha de tudo, malabaristas, homens de perna de pau, estátuas humanas e músicos, muitos músicos de estilos variados, conhecidos ou não. Encontrei com a Tulipa Ruiz, Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico), Rafael Castro, Luis Chagas (Isca de Polícia), Douglas de Las Casas (Boss in Drama), Márcio Werneck, João Parahyba (Trio Mocotó) e a galera que toca na rua, como o Rafael Pio, “estrela da festa”, ops, quero dizer manifestação.

Atentem para a discussão ao fundo


Cantamos e gritamos palavras de ordem, em frente ao Center 3 e novamente em frente ao Conjunto Nacional, o grupo parou para ler em coro um manifesto escrito pela organização. Foi divertido ver tanta gente divertida junta na Av. Paulista e triste por saber o que motivou esse encontro.
Cansado e com sentimento de dever cumprido me despedi de todos e tratei de entrar no metrô Consolação e voar para o Showlivre, pois ainda tinha que enfrentar uma fila gigantesca no banco; coisas da vida adulta…

Douglas ao meu lado na manifestação

Top 5 Discos do Ano – Parte 2

Em continuidade à iniciativa do companheiro de blog Renato Thibes, listo a seguir meu top 5 dos discos lançados em 2010. Aí vai, com livre trânsito, do samba ao hardcore:

#5

Tulipa Ruiz - "Efêmera"

Para começar, Tulipa Ruiz foi uma bela revelação para mim. Não conhecia seu trabalho até a apresentação no Estúdio Showlivre e, com ele, vieram melodias irreverentes e versos inteligentes, que fogem completamente do lugar-comum.

#4

Bad Religion - "The Dissent of Man"

E por falar em letras, o Bad Religion, em minha opinião, é sempre fato consumado. O brilhantismo dos versos do vocalista Greg Graffin, com sua forte e sensata carga de crítica social, e a estocada do hardcore, são sempre bem-vindos.

#3

Roberta Sá - "Quando o Canto é Reza"

Neste novo trabalho, Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil apresentam somente canções do sambista Roque Ferreira. A aliança da voz suprema da cantora aos belos arranjos do Trio traduziu-se em obra-prima.

#2

Lurdez da Luz - "Lurdez da Luz"

Outra surpresa pessoal, este é o primeiro álbum solo de Lurdez da Luz, vocalista do Mamelo Sound System. Arranjos ricos e letras que se destacam no cenário do rap pela sutileza e feminilidade.

#1

Tom Zé - "O Pirulito da Ciência"

Tom Zé é Tom Zé.