O Renascimento de Jimmy Cliff

Músico jamaicano lança disco de inéditas após oito anos

Jimmy Cliff finalmente volta a gravar um álbum de inéditas. O nome do mais novo rebento é Rebirth, produzido por Tim Amstrong, vocalista e guitarrista do Rancid. O álbum é uma verdadeira celebração ao reggae e suas origens. Quem estava acostumado com a sonoridade pasteurizada dos últimos álbuns de Cliff vai se surpreender com a produção. Tim conseguiu resgatar a essência do reggae roots que Jimmy ajudou a criar e que há algum tempo havia deixado para trás. Os timbres e equipamento vintage usados na gravação nos remetem à sonoridade quente e verdadeira da década de 60 e 70. Tudo isso somado a canções inspiradas, uma banda afiada e uma gravação impecável – onde até aqueles pequenos “erros” e pequenas desafinações fazem parte – fizeram de Rebirth um dos melhores discos de Cliff e um dos dez mais do reggae mundial. Um verdadeiro marco na carreira do compositor, que retorna à estrada aos 63 anos e não pretende parar tão cedo.

Cliff já dava sinais do caminho que seguiria quando lançou o EP Sacred Fire, no final de 2011, também produzido por Tim e só com versões muito bem sacadas, como “Guns Of Brixton”, do The Clash, e “Rubi Soho”, do Rancid. A velha e tradicional dobradinha “Punk and Reggae Party” estava de volta em grande estilo, e essas duas também fazem parte do álbum cheio e contribuem para a consistência do disco, que tem uma pérola após a outra. O single “One More” abriu as portas e me parece que estas vão demorar a se fechar. Rebirth é a redenção de Jimmy Cliff, provando que para inovar e seguir em frente, muitas vezes é preciso olhar para trás. No Brasil, o disco sairá pela Universal Music. Fiquem atentos.

VMB 2012: cerveja, suor e vaias

Ir à festa do VMB é sempre divertido. É como se fosse um daqueles encontros anuais, onde encontramos amigos que não vemos sempre. E o VMB 2012 não foi diferente.

Comecei a festa no conforto da minha casa assistindo a premiação pela TV, a vinheta de abertura já entregou que esse ano era a vez do rap. Eu sempre achei uma miopia, deixar a premiação ser dominada, apenas pelo seguimento que está em voga, porque a festa fica maçante demais, como minha opinião não conta…

Vi a apresentação do Planet Hemp pela TV, foi bacana, a banda está afiada e seu discurso continua atual, mas quem levou o prêmio foi o B Negão e os Seletores de Freqüência. Tenho que confessar que o excesso de palavrões ditos durante a transmissão me incomoda um pouco. São tão fora de contexto que perdem o sentido. E ninguém escapa: apresentadores, artistas, músicos e convidados… será que todos acham que falar palavrão na TV é ser descolado? Pra mim, parece, aquela hora que a tia do jardim de infância sai da sala e a garotada aproveita para falar “besteiras”.

Cheguei ao Espaço das Américas super curioso para ver como foi montada a estrutura que vi pela TV, palcos, arquibancada, pista para bicicletas e skate e a área da festa propriamente dita, onde rolam os “comes e bebes”, pois esse ano era tudo junto, com a premiação e a festa no mesmo espaço e ao mesmo tempo.

Gostei do que vi, a produção está de parabéns, tudo funcionando de maneira impecável. É claro que sempre tem gente demais na festa, mas é normal né, ninguém quer perder um evento desses, por isso mesmo se encontra de tudo lá.
Para variar, a concentração de gente era maior perto do bar, pegar uma bebida foi uma verdadeira epopéia, mas depois foi só relaxar e encontrar os amigos. Lá estavam o Derick do Sepultura, vendo o mundo do alto dos seus dois metros de altura, o Otto, incrivelmente são e gente boa como sempre, Rafael Cortes do CQC, rodeado de fãs e engraçado até fora do ar, Kiko Zambianchi exibindo seu corpinho de modelo de passarela, como nós mesmos comentamos. Encontrei muita gente, impossível citar todo mundo, mas fiquei um tempão me divertindo com a Miranda Kassin, ela é a diva mais divertida que conheço e com o casal Leela, Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão. Pouco consegui ver da premiação, tinha muita gente, um empurra-empurra insuportável e som local, ao contrário da transmissão na TV, estava de doer, o que é compreensível, são muitas trocas de palco.

Mas vi os Brothers Of Brasil, inspirados, o Projota recebendo seu prêmio e fazendo um discurso recheado de palavrões, como de praxe, o Emicida que aproveitou para falar sobre os incêndios criminosos em favelas de São Paulo. Fiquei super feliz com O Terno levando o prêmio de Aposta MTV e a Gaby Amarantos artista do Ano.

O ponto alto foi ver Detonador cantando, “Eu quero Tchu, Eu quero Tcha” com a dupla com a dupla João Lucas & Marcelo, já o ponto baixo foi à vaia ao Restart. Acho uma tremenda falta de educação, além de que, você não precisa desmerecer do outro para conseguir o seu espaço, o discurso dos garotos do Restart foi mais coerente do que o de muita gente que se diz consistente. Como a vida é paradoxal. O show do Racionais, só ouvi e como som não ajudava, ficou sem avaliação. Ano que vem estou lá de novo.
Lista de premiados no VMB 2012

Revelação: Projota

Melhor Disco: BNegão & Seletores de Frequência – “Sintoniza lá”

Melhor Banda: Vanguart

Melhor capa: Gaby Amarantos: “Treme” (arte: Greenvision/Gotazkaen)

Artista internacional: One Direction

Melhor Artista Masculino: Criolo

Melhor Música: Wado – “Com a ponta dos dedos” (Wado/Glauber Xavier) / Emicida – “Dedo na ferida” (Emicida)

Aposta: O Terno

Hit do Ano: Restart – Menina Estranha

Melhor Artista Feminino: Gaby Amarantos

Clipe do Ano: Racionais MC’s – “Mil faces de um homem leal” (Marighella) (dir. Daniel Grinspum)

Artista do Ano: Gaby Amarantos

 

 

Tropicália, o filme

Estréia um dos filmes brasileiros mais esperados do ano

Finalmente chega aos cinemas o filme Tropicália, um documentário que retrata um dos maiores movimentos culturais do Brasil, que aconteceu em um período em que a severa ditadura militar dominava o país, no final da década de 1960, quando a liberdade de expressão – e a liberdade propriamente dita – corria sérios riscos.
O movimento ecoou em manifestações artísticas diversas, influenciou e foi influenciado pelo Cinema Novo de Glauber Rocha, esteve presente nas artes plásticas de artistas como Hélio Oiticica, e no teatro brasileiro, nas anárquicas peças de José Celso Martinez. Porém, encontrou na música a sua maior expressão artística através de nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mutantes, Torquato Neto e Tom Zé.


Com forte influência do Movimento Antropofágico, Pop Art, Concretismo e cultura pop, a Tropicália misturou tradições populares às novidades internacionais e fez uma verdadeira revolução na música brasileira, influenciando geração após geração e deixando suas marcas até os dias de hoje.


O filme dirigido por Marcelo Machado nos faz perceber a dimensão do movimento, suas contradições, e que sua trilha sonora, naturalmente maravilhosa, continua atual. Muitas bandas de hoje tentam manter viva essa chama de perspicácia da Tropicália, que não existe mais como movimento, e sim na forma de um legado gigantesco que ainda pulsa, pulsa, pulsa.

Setembro Quente

Setembro começou a mil no Showlivre. Depois de duas apresentações ao vivo bombásticas, de Vivendo do Ócio e Tiago Iorc, respectivamente nos dia 4 e 5, o mês continua a toda. Olha só o que teremos por aqui, ao vivo, às 16hs:

 

– Dia 11 de setembro tem Planta e Raiz comemorando com a gente os seus 14 anos de carreira, com todas as bênçãos de Jah.

Jeito Moleque

– Dia 14 é a vez da alegria da roda de samba da mais nova sensação do gênero, Jeito Moleque.

Kiko Loureiro

– Dia 18 Kiko Loureiro dá as caras por aqui, trazendo a sua guitarra virtuosa e melodia ao Heavy Metal.

– Dia 20, a banda Boneca de Vidro vem mostrar porque foi um dos grandes destaques da primeira edição do #ShowlivreDay.

 

– Dia 25, voltamos ao espírito Jamaicano e as boas vibrações com a banda Filosofia Reggae.

Kliav

– Dia 27 é a vez da banda Kliav e seu Heavy Metal tenebroso fazerem tremer as paredes do nosso estúdio.

E não é só o Estúdio Showlivre que está quente. Na segunda, dia 10 de setembro, vou bater um papo descontraído com a eterna apresentadora Mara Maravilha para o programa Pé na Porta, e já estamos negociando uma entrevista com o antológico Odair José, o cantor brega que agora virou Cult para os novos artistas da nova MPB.

Outro que deve aparecer para lançar seu novo clipe é Jair Naves, um dos maiores representantes da nova cena Indie Rock. Fique atento, pois setembro promete.

Festival Porão do Rock

O Porão do Rock faz sua festa de debutante!

O Festival Porão do Rock em Brasília chega a sua 15° edição em grande estilo, reunindo 40 atrações em três palcos, num total de 15 horas de shows e uma expectativa de público de 40 mil pessoas. Várias atrações nacionais e internacionais se intercalam, nomes como: Sepultura (MG), Raimundos (DF), Cascadura (BA) e Vanguart (MT) dividem o palco com Gaz Coombes (Inglaterra), Red Fang (EUA) e Motosierra (Paraguay). Isso tudo sem falar nas toneladas de alimentos arrecadados pela ong PDR para o projeto Rock Contra a Fome e a Bolsa Rock onde alunos da rede pública entram de graça. O festival acontece nos dias 07 e 08 de setembro de 2012.

O Porão do Rock nasceu numa época em que os festivais preencheram uma enorme lacuna da música independente, disseminando e divulgando novos artistas por todo o Brasil. Vários festivais brotaram por todo o país seguindo o exemplo dos pioneiros: Porão do Rock (DF), Abril Pro Rock (PE), Goiânia Noise (GO) eRec Beat(PE). Criando um novo conceito e relação com a música, já que, no entorno desses festivais toda uma cultura independente se desenvolveu.

Hoje o Porão discute seus próprios modelos com um debate na véspera do festival, para discutir “Os Efeitos da Gratuidade dos Eventos no Mercado de Produção do Distrito Federal”. O que é um bom sinal. Mostra que as cabeças continuam pensantes e olhando para o próprio umbigo.

Informações:

http://www.poraodorock.com.br/

Novidades do Balaio

O balaio da redação continua enchendo de CDs, cada dia mais e mais novidades.

Andy Summers e Fernanda Takai – Fundamental

Essa reunião seria improvável há alguns anos atrás e hoje ela é fundamental, e só foi possível por causa de uma mãozinha de Roberto Menescal que apresentou um ao outro. Juntos, Andy e Fernanda visitam a Bossa Nova, em canções escritas por Andy, onde ele acrescenta elementos de pop, jazz e música erudita, que ganharam inspiradas versões em português feitas por Zélia Duncan, John Ulhoa e a própria Fernanda Takai.

O resultado é um pop dissonante, cheio de bossa, inusitado, inesperado e inspirado. Um álbum que se tornou obrigatório na estante de qualquer fã de música pop.

NX Zero – Em Comum

Os meninos do NX Zero cresceram e se tornaram homens feitos, assim como sua música. Nesse novo álbum eles mostram essa toda essa maturidade, adquirida nesses 10 anos de carreira, são canções inspiradas numa verdadeira montanha-russa emocional, onde momentos brandos são sucedidos por porradas sonoras.

Tereza – Vem Ser Artista Aqui Fora

A banda Tereza é a mais nova sensação do rock carioca. Natural de Niterói a banda vem fazendo shows marcantes pelo Brasil afora, com seu rock entre o indie e o pop.

Foram indicados para a finalíssima do prêmio Multishow 2012 na categoria Experimente e acabam de lançar seu primeiro álbum, Vem Ser Artista Aqui Fora, um digno álbum de estréia, que já teve dois clipes muito comentados: “Selvagem”, dirigido pela norueguesa Siri Saugstad, que mora em Londres, filmado em Gales e estrelado por uma vietnamita Thuy Pham e o mais recente “Vamos Sair para Jantar”.

Robert Plant, a lenda está de volta

Sir Robert Plant, o cavaleiro solitário

A lenda Robert Plant volta ao Brasil em outubro, essa verdadeira unanimidade do rock mundial poderia viver sob os louros pelo resto da vida. Sentado sobre o repertório do Led Zeppelin, empurrando com a barriga, que se daria bem mesmo assim. Mas não é isso que faz sir Robert Plant, esse intrépido cavaleiro, comandante do Império Britânico, título concedido pela rainha Elisabeth II. Ele tem a alma irrequieta e junto com seu fiel escudeiro, Jimmy Page, continuou produzindo, compondo e gravando álbuns incríveis e exóticos como aquele com a orquestra do Marrocos. Continuou pesquisando as raízes de sua música e agora com seu fantástico novo projeto, The Sensational Space Shifters, uma banda bem solta, ele se aproxima da música africana, do blues e de suas influências pessoais, sem deixar de revisitar clássicos do Led Zeppelin.

Um show para gostos apurados:

Em São Paulo

Data: 22 de outubro de 2012

Local: Espaço das Américas

Horário abertura portões: 18h30

Horário do show: 20h30

Classificação Etária: 16 anos

Bud Zone (Pista Premium): R$400,00 (Meia Entrada: R$200,00)

Pista: R$240,00 (Meia Entrada: R$120,00)

 

Mim quer Tocar

Como profetizou o grande Ultraje a Rigor, “Mim quer tocar, mim gostar ganhar dinheiro”.

Henrique Fogaça (Oitão)

Muitas vezes, não é bem assim, não é raro um músico ter uma segunda profissão que lhe garanta o sustento, enquanto se envereda pelo maravilhoso mundo da música. Mas tem quem siga o caminho inverso, gente que se realiza profissionalmente, nas mais diferentes profissões e não consegue viver sem pisar num palco. Resumindo, ganha dinheiro de outra maneira, mas adora fazer música. E quando alguém que já faz sucesso em outras áreas resolve se enveredar pelo complexo universo musical, realmente causa estranhamento e também encantamento.

Mas é bom adiantar que eles levam a música muito a sério, não é apenas um hobby para aliviar o stress. Eles realmente mandam bem e algumas dessas figuras estiveram no Showlivre para apresentar seus projetos.

O estilista, Fause Haten com seu trabalho solo nas mãos, mostrou que seu mundo não é feito apenas de tesouras, linhas e top models. O chef de cozinha Henrique Fogaça, o mais novo destaque da gastronomia, trouxe sua indigesta banda de hard core peso pesado, Oitão. Celso Cardoso, respeitado jornalista esportivo da TV Gazeta, mostrou sua face rebelde acompanhado por uma super banda de rock. E a escritora, blogueira e barraqueira Clarah Averbuck, nos presenteou com sua linda voz e letras inspiradas.

É imperdível, “quem quer tocar?”.

Ronaldo Giovanelli, o goleiro rock’n’roll

Fui gravar o programa Pé na Porta com Ronaldo Giovaneli , esse eterno goleiro do Corinthians e agora comentarista e cantor. Ele é uma figuraça, divertido e boa praça.

Recebeu-nos no estúdio da rádio Transamérica onde ele faz um programa sobre futebol, grande novidade (rsrs). Falamos sobre seu trabalho como cantor, sua banda Ronaldo e os Impedidos, onde revelou que eles estão preparando material novo que deve sair em outubro.

 

Ronaldo e Clemente na Rádio Transamérica

Como em agosto, faz 35 anos que Elvis Presley nos deixou, o assunto não poderia ser outro. Ronaldo se mostrou um fã apaixonado, tem tudo do rei: discos, CDs, roupas, objetos, e ainda se emociona de verdade quando fala no seu grande ídolo. Deu até uma “palinha” pra gente, cantando “Suspicious minds”. Foi demais!

Woodstock, 3 dias de música e paz

Woodstock comemora 43 anos de ousadia!

Woodstock foi o mais marcante dos festivais, pois simbolizou a realização de todo o ideal hippie e virou um marco. Nunca se havia visto tanta gente junta para viver e ouvir música e proclamar a liberdade. Foi realmente um divisor de águas do comportamento jovem. Os que lá estiveram apreciaram as performances musicais de gente como Santana, Grateful Dead, Creedance Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker, Jimi Hendrix, Crosby, Still, Nash & Young e Joan Baez. Esses nomes dão uma ideia dos shows maravilhosos que rolaram por lá.

Os produtos que o festival gerou incluem um disco, um filme, e os casos que viraram história e geraram lucros, além de divulgarem o ideal hippie. Assim foi com tudo que permeou o festival, que começou despretensioso e acabou tomando proporções gigantescas.

Foram feitas algumas edições posteriores, mas nenhuma teve a importância do primeiro, cuja aura está presente em cada festival realizado pelo mundo. Todos esses festivais têm um pouco do Woodstock original, que aconteceu do dia 15 a 18 de agosto de 1969, e completou 43 anos de ousadia.

O Showlivre resolveu criar seu próprio Woodstock para comemorar essa data tão importante com uma seleção de artistas que passaram por aqui e têm um pouco do espírito hippie e libertário do festival original. Como seria o seu line-up?