A balada solitária de Fatboy Slim

Ouve-se muito falar de artistas que são marcados pelo seu público, mais do que pela própria música. Há quem não goste de Los Hermanos, mas há quem diga que não gosta mesmo é dos fãs de Los Hermanos – um fenômeno semelhante ao enfrentado pela Legião Urbana em um passado não tão distante. Alguém identificado com este tipo de pensamento poderia não gostar da apresentação de Fatboy Slim que aconteceu na última terça-feira 24, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Dezenas de rapazes sem camisa e centenas de meninas com vestidos extracurtos davam uma aparência de micareta a um ambiente onde a música não parecia ser o interesse principal. Seguramente este cenário não define todos os fãs do DJ – como não faz sentido acreditar que todos os fãs de Los Hermanos tem determinada personalidade –, mas quem estava presente poderia julgar mal a obra de Fatboy Slim se o fizesse segundo seu público.

Fatboy Slim em São Paulo (Foto: Marcos Ribas / Photo Rio News).

O julgamento também não seria favorecido diante dos elevados camarotes que, separados por grades extensas, atrapalhavam a visão da plateia distante do palco. Contribuía (ou não) para o ambiente o preço de uma lata de cerveja Budweiser, tão barata e popular em outros países, vendida a R$10,00. O fato lembra as casas noturnas que cobram preços exorbitantes não por conta da procedência ou sofisticação de seus produtos, mas em prol da mera ostentação.

Entretanto, um espectador voltado à música de Fatboy Slim encontrou uma performance digna de quem sabe levar seu público. Com o hit Praise You na abertura do show e um volume devidamente amplificado, Norman Cook – nome de batismo do DJ – já tinha a casa em suas mãos. O clima se manteve com projeções bem feitas no telão imenso, saudações ao país tupiniquim em Put Your Hands Up For Brazil e canções consagradas como Superstylin’, do Groove Armada.

A própria imagem do DJ e suas danças ininterruptas davam a impressão de um indivíduo imerso em sua própria balada, mas, quem sabe, talvez solitária. Alguém tem ideia por que a música eletrônica no Brasil se encontra em redutos nem sempre dedicados, de fato, ao som?

Queremos Miles Davis!

Foto: Cortesia da Sony BMG Music Entertainment

Há gênios que, dizem, são indiscutíveis. E o que faz com que eles sejam chamados assim são as opiniões de especialistas, correto? Distante de verdades absolutas, nada mais justo do que criar a sua própria opinião. E, quando se trata de música, melhor do que ouvir é contextualizar-se, entender o ambiente que causou determinada criação.

A exposição Queremos Miles! permite conhecer com propriedade a música, a vida e o contexto histórico da obra de Miles Davis. Organizada pelo museu Cité de la Musique, de Paris, a exposição reconstitui a trajetória do trompetista, desde a infância até seu último concerto, por meio de antigos instrumentos, partituras, fotografias, vídeos e, claro, muita música. É como ler um livro extrassensorial, onde a música e a imagem se encontram.

Se existe elitismo por parte de alguns ouvintes de jazz, esta exposição torna Miles Davis muito mais próximo, gratuitamente. Queremos Miles! está no SESC Pinheiros, em São Paulo, até 29/01. Para os conhecedores e para os curiosos, a redação do Showlivre recomenda.

Serviço
Local: SESC Pinheiros
Endereço: Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros – São Paulo – SP
Data: 20/10/11 a 29/01/12
Hora: Terça a sexta, das 10h30 às 21h30, Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30
Ingressos: Grátis
Classificação: Livre
Site: www.sescsp.org.br

A Música segundo Tom Jobim

Tom Jobim. Foto: Instituto Antônio Carlos Jobim.

Tom Jobim, o Maestro Soberano, terá um novo documentário em circulação nos cinemas brasileiros. A Música segundo Tom Jobim estreia no dia 20 de janeiro, cinco dias antes da data em que o compositor completaria 85 anos.

O documentário é formado por imagens de arquivo que contam a história do maestro: filmagens do Rio de Janeiro da infância de Tom, documentos, letras manuscritas e, em sua grande maioria, performances ao vivo. Em gravações recentes ou clássicas, ouve-se Tom Jobim na voz de Gal Costa, Elizeth Cardoso, Ella Fitzgerald, Chico Buarque, entre dezenas de outros nomes importantíssimos da música mundial – além, é claro, do próprio Tom. Ainda, há achados preciosos como interpretações de Sammy Davis Jr. e Judy Garland.

Tom Jobim e Elis Regina. Foto: Fernando Duarte.

Em uma proposta pouco usual, não há depoimentos ou palavras explicando contextos históricos e a cronologia da vida do maestro. Segundo Paulo Jobim, filho de Tom, o formato tradicional dos documentários, que alterna música e depoimentos, tende a ser “chato pra chuchu”. Desta maneira, os diretores Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim (neta) oferecem aos espectadores apenas a música, ininterruptamente.

O documentário certamente agradará aos fãs já um pouco familiarizados com vida e obra do maestro. Talvez a ausência de um formato mais didático possa não esclarecer os detalhes históricos – nem os artistas que se apresentam são identificados, em uma ausência total de palavras. Mas os detalhes já foram esmiuçados em diversas obras e, segundo o diretor Nelson Pereira dos Santos, o objetivo é “curtir a música”.

Na coletiva de imprensa, o diretor ainda comentou sobre um próximo filme sobre Tom Jobim, focado na relação do maestro com mulheres importantes de sua vida, que deverá ser lançado em breve. É bom saber que há pessoas dispostas a tornar a magnitude da obra jobiniana cada vez mais conhecida, para que perdure eternamente. Como escreveu Tom, na canção Querida: “Longa é a arte, tão breve a vida”.

Arte e música na sexta-feira 13

Nesta sexta-feira 13, acontece a festa Calavera de Azúcar, que contará com as bandas Cabana Café, Hierofante Púrpura, Bratislava e Blemish. Entre no clima com os vídeos do excelente Cabana Café no showlivre.com neste link e saiba mais informações sobre o evento neste outro aqui!

Cabana Café, uma das atrações do evento.

Serviço:
Local: Centro Cultural Rio Verde
Endereço: Rua Belmiro Braga, 181 – São Paulo – SP
Data: Sexta-feira, 13/01/12
Hora: 21h
Entrada: R$ 20,00 (Lista R$ 15,00 = http://on.fb.me/z4WZ3w)
Obs.: A entrada só será permitida mediante apresentação de documento com foto, comprovando maioridade.

Música pela Cura do câncer

A TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer – realizará o projeto Música pela Cura. O mote do projeto é “possibilitar que mais crianças e adolescentes carentes com câncer tenham o direito de alcançar todas as chances de cura possíveis, com qualidade de vida”.

Diversas apresentações de jazz e música erudita serão realizadas na Sala São Paulo e quem comprar a assinatura ganhará um CD de brinde, com faixas gravadas por artistas que já se apresentaram ou se apresentarão na TUCCA. Todos os artistas fizeram uma doação dos direitos das músicas e participaram Swingle Singers, Pepe Romero, Nina Kotova, Stacey Kent, Avishai Cohen, Shai Wosner, Paquito D’Rivera e NY voices e Tigran Hamasyan.

Confira a seguir a programação do evento:

Nigel Kennedy

11 de abril
NIGEL KENNEDY – BACH encontra FATS WALLER
Um dos mais famosos violinistas da música erudita – que ainda hoje é recordista de venda de álbuns com sua versão das Quatro Estações de Vivaldi – volta ao Brasil para apresentar um projeto do encontro entre J. S. Bach e o grande pianista de jazz Fats Waller.
site : http://www.kennedyshhh.com/
video : http://youtu.be/oLVLNoxF4L0

23 de maio
PAQUITO D’RIVERA e NY VOICES – Brazilian Dreams

Esse álbum do clarinetista cubano, ganhador do Latin Grammy, apresenta sucessos da música brasileira, como Modinha, Desafinado e Retrato em preto e branco. O concerto, como o álbum, conta com a presença do quarteto New York Voices, um dos melhores grupos vocais norte-americanos de jazz.
Paquito + Voices
web site : http://paquitodrivera.com/
Video : http://youtu.be/x5DTzPQ0ocQ

20 de junho
LUDWIG VON BEETHOVEN – Nona Sinfonia
Um clássico da temporada de concertos da TUCCA, Ode à Alegria é uma das principais obras de arte da música erudita. Imperdível, sempre.
Regência: Maestro João Maurício Galindo

19 de setembro
STEVEN ISSERLIS – Recital de violoncelo
Uma rara oportunidade de apreciar um dos melhores violoncelistas da atualidade, que vem ao Brasil especialmente para apresentar um recital. Isserlis é famoso por sua versatilidade: música clássica, moderna e para crianças – ele sempre se destaca. Sua versão da Suíte para Violoncelo Solo de Bach é uma obra- prima.
Web Site : http://www.stevenisserlis.com/
Video : http://youtu.be/O3bFeVoArnQ

17 de outubro
TIGRAN HAMASYAN – Piano solo jazz
Nova sensação do momento, o pianista de jazz de origem armênia Tigran Hamasyan se apresenta pela primeira vez no Brasil. Ele é o mais jovem ganhador do concurso Thelonious Monk. Sua música mescla o folclore armênio ao jazz e ao rock.
Web Site : http://flavors.me/tigran/
Video : http://youtu.be/7mlNbgS0_5c

27 de novembro
PAULO SZOT – Recital vocal
O cantor brasileiro recebeu, em 2008, um Tony Awards das mãos da Liza Minelli por seu papel no musical South Pacific, na Broadway, em Nova York. Em sua primeira apresentação em São Paulo, Szot fará um dos concertos mais esperados do ano!
Paulo Szot
Web : www.pauloszot.com
Video : http://youtu.be/ZpL8epZ6nag

Serviço
Local: Sala São Paulo
Endereço: Praça Júlio Prestes, 16 – São Paulo – SP
Site: http://www.tucca.org.br/eventos/musicapelacura.asp

Divas do Metal 2012

A vocalista do Shadowside, Dani Nolden, está no calendário “Divas do Metal 2012”, produzido pelo site costarriquenho Tarrazú, especializado em rock e metal. Dani é a única representante da América Latina no calendário, e está ao lado de Cristina Scabbia (Lacuna Coil), Floor Jansen (ReVamp, ex-After Forever), Manuela Kraller (ex-Xandria), Anneke Van Giersbergen (Agua de Annique, ex-The Gathering), entre outras.

Confira a seguir a apresentação do Shadowside no Estúdio Showlivre e a lista completa das musas, eleitas por uma pesquisa no Facebook.

Janeiro: Chiara Malvestiti – Crysalys
Fevereiro: Clémentine Delauney – Whyzdom
Março: Barbara Schera Vanoli – Dama
Abril: Lucie – Whispering Tales
Maio: Floor Jansen – ReVamp
Junho: Cristina Scabbia – Lacuna Coil
Julho: Dani Nolden – Shadowside
Agosto: Manuela Kraller – Xandria
Setembro: Anneke Van Giersbergen
Outubro: Marcela Bovio – Stream of Passion
Novembro: Lisa Middelhauve – Ex-Xandria
Dezembro: Emily Alice Ovenden – Pythia