Vespas Mandarinas no Estúdio Showlivre

O pessoal do Vespas Mandarina é destaque do Estúdio Showlivre que vai ser transmitido ao vivo, excepcionalmente, às 14h desta terça-feira, 31 de maio.

Perfil:

A banda Vespas Mandarinas, formada por Chuck Hipólitho, Thadeu Meneghini, André Dea e Flavio Guarniéri, tomou de empréstimo o nome – vespas mandarinas são bichos gigantes, capazes de dizimar em poucos minutos colmeias inteiras – som e fúria, para aparecer, como uma blitzkrieg no céu do novo cenário da música nacional.

Vespas faz música para as massas, contrariando a percepção do universo musical indie de hoje, que subestima a pertinência do gosto popular.

Já saindo do forno, o EP Sasha Grey (Vigilante/Deck) contém três músicas inéditas e uma versão matadora de uma canção de sucesso da banda espanhola Fito & Fitipaldis, “Antes de que cuente diez”. Seu nome faz referência à celebridade pornô Sasha Grey e também batiza a canção homônima, que desafia o status quo: “não leio mais manchetes de jornais/se as coisas se repetem, tanto faz/ e as novidades são todas sempre iguais/ eu já perdi tempo demais”.

Há muitas outras canções sendo preparadas para um disco novo, um LP, como as sugestivas “Dançando no fim do mundo” e “Distraídos, Venceremos”, que já podem ser conferidas ao vivo a partir dos próximos shows.

Zeca Pagodinho. Um pouco de cerveja e muito samba.

Zeca Pagodinho no Credicard Hall, em São Paulo. Foto: Laís Aranha.

Um público maduro em sua maioria recebeu o sambista Zeca Pagodinho no Credicard Hall, em São Paulo, na sexta-feira 27. Maduros na idade e na paciência, famílias aguardavam sem alarde o atraso de 45 minutos do cantor, tempo necessário para que toda a plateia ultrapassasse o trânsito causado por um caminhão quebrado na Marginal Pinheiros. Apesar do tempo frio da capital paulistana, a expectativa pelo show era efervescente e apaziguada pelos baldes de cerveja gelada que decoravam as mesas da casa lotada.

Enfim, as cortinas sobem e, após a uma abertura arrebatadora, com a consagrada Verdade, Zeca levanta sua taça e saúda a todos com um brinde. Como é de praxe aos músicos que se entregam no palco, o sambista parece divertir-se de fato: no sorriso tímido, mas incessante, na dança desajeitada, nos gestos que acompanham os términos muito bem arranjados de cada canção.

Zeca e sua orquestra do samba. Foto: Laís Aranha.

Aliás, Zeca é acompanhado por uma verdadeira orquestra do samba e, nela, não há nota ou batuque que saia do lugar. Porém, se os arranjos são profissionais, há também espaço para a espontaneidade. Os músicos parecem contagiados pelo entusiasmo do sambista, ao ponto do trompetista do grupo arrancar o microfone de seu instrumento para acompanhar um “laiá laiá”. É a velha história de uma boa música não ser feita apenas de notas, mas de muito sentimento.

E sobre entusiasmo contagiante, felizes foram aqueles que sentaram-se nas mesas ao fundo e nas plateias superiores (os “piores” lugares), pois puderam levantar-se e dançar à vontade. Este é o tipo de show em que, a cada minuto, pessoas não resistem a permanecer sentadas e recebem reclamações dos que estão atrás. Porém, se não podiam levantar, grande parte do público acompanhava as canções de braços abertos, estendidos ao alto. Cabe observar como há algo de interessante no samba ser um tipo de música que se recebe de braços abertos.

Zeca Pagodinho. Braços abertos para o público. Foto: Laís Aranha.

E é esta a postura que Zeca Pagodinho tem no palco. Parece estar de braços abertos aos que estão lhe ouvindo. Se uma espectadora entrega-lhe um presente, o sambista para de cantar e guarda-o cuidadosamente na mesa, com seus copos. Se alguém lhe acena na plateia, olha com atenção e responde sorridente. Se reconhece um amigo, cumprimenta-o ao microfone, sem cerimônias. No fim das contas, Zeca tornou-se Pagodinho na roda de samba e é ali que ele parece sempre estar.

Como o próprio afirma, ao início de Orgulho do vovô, parceria sua com Arlindo Cruz: “sou avô agora, mas continuo o mesmo”. Apesar dos pouquíssimos goles de cerveja que deu durante o show, deixa o palco dançando e com sua taça em mãos. Segundo o que conhecemos, não poderia ser diferente.

Espetáculo Lord of the Dance no Brasil


Lord of the Dance, em cartaz na Via Funchal, em São Paulo, é um premiado espetáculo de dança irlandesa, criado em 1996 pelo dançarino e diretor artístico Michael Flatley, norte-americano com ascendência irlandesa.

O espetáculo inclui 21 cenas pontuadas por músicas dramáticas, figurinos coloridos, efeitos de luz e pirotécnicos e experientes bailarinos. O enredo é baseado no folclore irlandês e é uma clássica história do bem contra o mal, expressada através da linguagem universal da dança. A entidade Little Spirit viaja através do tempo para ajudar Lord of the Dance a proteger seu povo da fúria e dos desafios de Don Dorcha, o Black Lord.

Sobre Michael Flatley
Aos seis anos de idade, o sonho de Michael Flatley era levar a dança irlandesa de seus ancestrais a ser reconhecida nos quatro cantos do mundo. “Eu sonhava muito quando criança e era às vezes repreendido. Pois hoje, todos aqueles sonhos se tornaram realidade”.

Flatley começou sua carreira como dançarino do mais importante grupo de música folclórica irlandesa, The Chieftains, com o qual fez inúmeros shows durante os anos 80.

Serviço
Datas: 25 a 29 de maio/2011
Horários:
Dias 25, 26 e 27/05: 21h30
Dia 28/05: 16h30 e 21h30
Dia 29/05: 16h30 e 20h30
Abertura da casa: Duas horas antes de cada espetáculo
Local: Via Funchal – Rua Funchal, 65 – Vila Olimpia – www.viafunchal.com.br
Horário da bilheteria: das 12h às 22h  (de segunda à domingo)

Preços
Platéia VIP: R$ 300,00
Platéia Premium: R$ 250,00
Platéia 1: R$ 160,00
Platéia 2: R$ 120,00
Mezanino Central: R$   80,00
Mezanino Lateral: R$   80,00
Camarote: R$ 250,00
Cartões de Crédito: Visa, Mastercard e Diners
Cartões de  Débito: Visa Electron (somente na bilheteria do Via Funchal)

Estudantes tem direito a 50% de desconto no valor do ingresso em qualquer setor da casa.
Os ingressos de estudantes são vendidos apenas nas bilheterias da Via Funchal.

Informações
Site e vendas online: www.viafunchal.com.br
Telefone: (11) 3846-2300
Capacidade:   3.075  lugares
Duração: 1º ato: 45 min. – Intervalo: 20 min – 2º ato: 45 min
Classificação Etária: livre
Estacionamento na porta: R$  30,00 c/manobrista  (NETPARK)
Estacionamento VIP (dentro da Via Funchal – vagas limitadas):  R$  50,00 (vendido nas bilheterias e pelo site)
Acesso Deficientes

Mais do Jukebox Festival

O Jukebox Festival soltou mais detalhes da festa nos dias 1 e 2 de julho que vai rolar no Estúdio Emme em São Paulo, fique ligado:

Venda de ingressos:
começa na próxima segunda, dia 30/mai

Sua banda na abertura do Jukebox Festival:
Segunda (30/mai) também começa a disputa da banda estreante que vai tocar no festival. Estão pré selecionando 5 e na semana que vem, dedicarão cada dia para uma delas com post, vídeo e afins e na sexta abrem a votação para os leitores do blog Move That Jukebox escolherem quem vai tocar.

Line-up e horários:
O Jukebox Festival será realizado em dois dias: um dedicado ao rock e outro à música eletrônica. Na sexta-feira, se apresentam Bidê ou Balde (RS), Apanhador Só (RS), Garotas Suecas (SP), Holger (SP) e o grupo vencedor da disputa promovida pelo blog. No sábado, será a vez de The Twelves (RJ), Zemaria (ES), Boss in Drama (SP), André Paste (ES) e Killer on The Dance Floor (SP).

Sexta, dia 01 de julho:
22h30 – Abertura com o DJ Ricardo Lemke
23h – Banda de abertura – SP
23h45 – Apanhador Só – RS
0h50 – Garotas Suecas – SP
1h55 – Holger – SP
3h15 – Bidê ou Balde – RS

Sábado, dia 02 de julho:
22h30 – Abertura com o DJ Ricardo Lemke
23h – André Paste – ES
0h00 – Zemaria – ES
1h05 – Boss In Drama – SP
2h10 – The Twelves – RJ
3h45 – Killer On The Dancefloor – SP

Confira mais das bandas aqui

Serviço:
Jukebox Festival
Quando: 01 e 02 de julho de 2011
Abertura da casa: 22h
Início dos shows: 23h
Onde: Estúdio Emme – Avenida Pedroso de Moraes, 1036. Pinheiros, São Paulo
Censura: 18 anos
Ingressos à venda na bilheteria do Estúdio Emme ou em www.compreingressos.com
Mais Informações: www.facebook.com/jukeboxfestival
contato@movethatjukebox.com
Lote 1: R$ 25,00 (por dia)/ R$ 40,00 passaporte
Lote 2: R$ 35,00 (por dia)/ R$ 60,00 passaporte
Lote 3: R$ 45,00 (por dia)/ R$ 90,00 passaporte
Patrocínio: Devassa
Produção: Caleidoscópio – Comunicação Cultural
Apoio: PROAC, Governo de São Paulo e 3Plus

Sobre o Move That Jukebox:

O blog Move That Jukebox foi criado por seis adolescentes entre 15 e 17 anos, de diferentes cidades, que se conheceram pela internet em uma comunidade do extinto Tim Festival e resolveram unir forças para colocar no ar uma página com informações, resenhas de discos e shows, entrevistas com músicos e personagens relacionados à música, especialmente ao rock moderno. Em um ano, o blog já era indicado a prêmios. A estas indicações seguiram-se comentários e matérias explicando a origem da página e a indicando como uma referência entre os principais veículos independentes de música no país.
Atualmente com quase quatro anos de existência, a trajetória do blog só tem crescido – e somam-se a ela popularidade e reconhecimento por um trabalho feito de forma despretensiosa, mas responsável e dedicada. Esta consolidação foi o início do projeto Jukebox Festival. Assim como a energia que os motivou a criar a página em 2007, a vontade agora era formatar um festival que fosse totalmente alinhado com o perfil “faça você mesmo”: bandas, divulgação, cobertura, produção.

Kamau no Estúdio Showlivre

MC Kamau é a atração do Estúdio Showlivre que será transmitido ao vivo a partir das 14h.

Acompanhado  pelo DJ Erick Jay e pelo MC Renan Samam, o MC vai apresentar sua rima, incluindo a nova “Só”, seu videoclipe lançado em 2010.

O Guerreiro Silencioso e a batalha de um homem só

Um dos representantes da nova escola do rap, Marcus Vinicius Andrade e Silva já tem que tomar fôlego para contar seus feitos. Afinal, passaram-se 12 anos do primeiro encontro do MC Kamau, na época um rapaz de 21, com o palco.

Exímio skatista (curiosamente há 21 anos, desde os 12 de idade) e um ex-futuro matemático (sim, ele fez faculdade de Matemática) Kamau não só domina a arte de rimar e improvisar como também a de construir beats – sem contar a alcunha de conhecedor enciclopédico de rap alternativo que lhe cabe.

Os primeiros foram em grupo. Com o Conseqüência começou a rimar em 97, aos 21 anos e com o Simples, quatro anos mais tarde, o álbum Escuta Aí. Nesse começo, Kamau também foi convidado a fazer partes da Academia Brasileira de Rimas, Quinto Andar, Central Acústica e Instituto, com quem segue em shows por todo o Brasil como MC oficial. Não obstante, já dividiu o mic com ícones da cena gringa, entre eles os monstros do De La Soul, do Jurassic 5, do People Under the Stairs e Chuck D., do Public Enemy.

A primeira escapada solo aconteceu em 2005, quando colocou nas ruas o que seria o seu primeiro registro como um exército de um homem só. A mixtape Sinopse precedeu o primeiro capítulo de sua nova caminhada. Non Ducor Duco chegou em 2008 com a mesma responsabilidade de seu significado: “não sou conduzido, conduzo”, inscrição grafada no brasão da cidade de São Paulo.

Quem acompanha mais de perto o MC sabe de sua ligação com o número 21: há 21 anos ele começou a andar de skate e aos 21 de idade encarou os palcos pela primeira vez. Por isso, 21/12 foi a data que escolheu para se despedir de um ano produtivo com mais trabalho. E saiu logo um combo triplo de novidades: seu primeiro videoclipe (produção de Fred Ouro Preto), um remix da faixa “Só” (pelas mãos de Nave); o remix da música “Resistência”, com participação da rapper Invincible, de Detroit (EUA); e uma música inédita, que não teria nome melhor, “21|12”.

O clipe de “Só” quando completou um ano, em dezembro de 2010, ganhou o status de mais promovido no YouTube.

Jukebox Festival

Um dos blogs de rock e afins mais bacanas da web, o Move That Jukebox, vai promover um festival nos dias 1 e 2 de julho no Estúdio Emme em São Paulo.

Reunindo nomes do rock e da música eletrônica, o Jukebox Festival alinhou para os dois dias as bandas:

  • Bidê ou Balde:
  • Zemaria
  • Apanhador Só
  • Holger
  • Garotas Suecas
  • André Paste
  • Twelves
  • Killer on the Dancefloor
  • Boss in Drama
  • Para ficar mais animada ainda a festa e a movimentação em torno dela, o festival vai escolher uma banda nova que vai tocar no evento.
    Para saber mais clique aqui

    Confira Apanhador Só, Boss in Drama, Zémaria e Garotas Suecas no Estúdio Showlivre:

CPM 22 no Estúdio Showlivre

O CPM 22 é a atração do Estúdio Showlivre do dia 24 de maio, com transmissão ao vivo a partir das 15h.

A banda depois de um hiato de 4 anos lança seu novo disco de inéditas, Depois de um Longo Inverno, e mostra seu rock com influência de punk e ska, além de contar as novidades e histórias, bater um papo com Clemente Nascimento.

CPM 22
DEPOIS DE UM LONGO INVERNO

O CPM 22 chega ao seu sétimo disco e a palavra que melhor resume esse trabalho é “maturidade”. Depois de 4 anos do lançamento de Cidade Cinza em 2007, a banda volta com aquele que pode ser aclamado como seu melhor disco até hoje. A expectativa dos fãs finalmente será saciada com um disco repleto de influencias de punk, hardcore e ska.

Um lado irresistível desse novo disco é com certeza as faixas com uma levada de ska, um dos ritmos mais empolgantes do rock de todos os tempos. A galera do CPM 22 sempre adorou resgatar esse lado agitado do ska pras suas canções e tudo ganha uma forma vibrante e dançante como fazem os americanos do Rancid até hoje, misturar ska com The Clash.

Tres palavras resumem bem o álbum Depois de Um Longo Inverno, surpreendente, renovado e cativante. Se muitos reclamam que o rock brasileiro está carente de bons letristas, o CPM 22 volta com um disco cujo discurso questiona muitos dos nossos valores sociais que ficaram esquecidos de uns tempos pra cá e mostra para nova geração um novo caminho pra que todos cresçam, assim como eles conseguiram nesse sétimo disco, o melhor da carreira do grupo.

Festival Natura Nós, música e sustentabilidade

O último sábado 21 começou como tem sido de costume nesses belos dias de outono em São Paulo. Manhã de céu aberto e sol forte, com calor amenizado pela brisa leve que carrega as folhas amareladas das poucas árvores que nos restam ainda. O leitor, por favor, dê licença ao teor urbano-hippie do texto, mas era essa a atmosfera predominante no Festival Natura Nós realizado na Chácara do Jockey, com presença de Jack Johnson, Jamie Cullum, Laura Marling, Roberta Sá e António Zambujo, G. Love, Maria Gadú e BiD.

Dado o início da tarde, camisas xadrez e óculos Ray-Ban começavam a ocupar o recinto, com um público de poder aquisitivo visivelmente alto. Esta tem sido a regra nos últimos tempos, em que o Brasil integra cada vez mais o circuito dos grandes shows internacionais, porém, com preços elevados e uma plateia disposta a pagá-los.

G. Love no Festival Natura Nós, em São Paulo. Foto: Laís Aranha.

No primeiro show do dia, G. Love apresentou-se sozinho, munido apenas de gaita e violão. O cantor é conhecido pelos fãs de Jack Johnson, pois lançou discos pela Brushfire Records, selo fonográfico do havaiano. Assistir ao show e não fazer uma relação entre ambos era inevitável, com a leveza da apresentação e o ornamento do pôr-do-sol providencial. G. Love canta sobre temas como o café (um mote justo, convenhamos) e lembrou-se de quando compôs, no Brasil, uma música que clama por “paz, amor e felicidade”. Como apontou minha ótima companhia, o nome de um dos discos do cantor remete aos momentos em que se “descansa na varanda” e, de fato, esse era o clima.

Na sequência, em um palco reservado aos artistas brasileiros, localizado no lado oposto do recinto, Roberta Sá fazia o último show da turnê Pra Se Ter Alegria. O cair da noite trouxe o frio e a elegância da cantora, uma voz de beleza unânime no atual cenário musical do país. A anunciada participação do português Antônio Zambujo teve um toque de ousadia, afinal, tocar um fado e um choro lento para um público grande, predominantemente jovem e em pé, não é tarefa simples. Mas a excelência dos protagonistas transformou o que parecia ousado em pura maestria.

De volta ao palco internacional, a aclamada Laura Marling apresentou seu folk para um número surpreendente de pessoas, uma vez que sua música escapava ao teor popular de outras atrações do festival. A displicência da calça legging e tênis de corrida com que se apresentou ofereciam contraste ao peso e intensidade de suas melodias. Curioso como a feição densa de Marling se desfazia no intervalo entre as canções, como quando agradeceu com doçura ao bom momento que estava passando.

Maria Gadú. Foto: Laís Aranha.

Maria Gadú foi a primeira atração a reunir um público massivo no evento. Aparentou a segurança de quem já está habituado a estrelar grandes palcos e mostrou, com um apanhado de músicas consagradas, um bom caminho para agradar um elevado número de ouvidos. Em um set list pequeno, cantou seus hits e versões de sucessos como A história de Lily Braun, de Chico Buarque e Edu Lobo, Lanterna dos Afogados, famosa com Os Paralamas do Sucesso e Trem das Onze, de Adoniran Barbosa. Também figurou no repertório uma conhecida e interessante versão que une You know I’m no good, de Amy Winehouse, a Filosofia, de Noel Rosa.

Jamie Cullum. Foto: Laís Aranha.

E por falar em levar bem o público, Jamie Cullum fez uma apresentação musicalmente brilhante e com requintes de interação com a plateia. O inglês é conhecido pela postura frenética no palco e o grande número de ouvintes pareceu intensificar sua interpretação. Provoca o público: fica em pé sobre o piano, arremessa seu paletó, desata o nó da gravata. Exibe uma garrafa de Jack Daniel’s e arrisca um português no “whisky com guaraná” – neste momento, aliás, talvez sob o efeito do álcool, o cantor esquece o microfone e retorna para buscá-lo. Passeia pelas oitavas do piano até alcançar teclas imaginárias.

Poderia parecer excessivo, mas seu desempenho como instrumentista justifica qualquer frenesi. O domínio sobre o piano provoca magnetismo, arranca aplausos e distrai até o olhar dos seguranças em torno do palco, por conta de batuques na madeira a complexas versões de Don’t stop the music, de Rihanna, a High and Dry, de Radiohead. Nesta última, Jamie Cullum começa contando como utilizou a canção para conquistar uma pretendente na adolescência e termina orquestrando um dueto com as milhares de vozes presentes no recinto. Por fim, se joga no chão em êxtase, como se o palco fosse seu parque de diversões e ele soubesse brincar.

Grande parte dos presentes que lotavam a Chácara do Jockey passou a aguardar Jack Johnson no palco internacional, o que diminuiu o número de pessoas reunidas no show do produtor BiD, embora ainda fosse impressionante a gigantesca massa de pessoas em ambos os palcos. Uma orquestra de cores e instrumentos percussivos cativou boa parte do público com sua mistura de música jamaicana e nordestina, sem deixar de lado uma homenagem ao mestre Chico Science.

Jack Johnson. Foto: Laís Aranha.

Última e aguardada atração da noite, Jack Johnson foi antecedido, nas caixas de som, pelas faixas Wouldn’t it be nice, dos Beach Boys, e All you need is love, dos Beatles, talvez com o intuito de trazer bons presságios ao fim da noite. Se Jamie Cullum trouxe sofisticação sonora, o havaiano ofereceu sua simplicidade. Talvez não tenha conquistado quem não é fã, mas certamente agradou quem já conhecia e esperava a apresentação. Jack Johnson tem uma postura tímida no palco, com raros momentos de interação com a plateia, e, assim, cada vislumbre de sorriso é recebido com aplausos intensos. Se há artistas que mostram o fruto de ensaios exaustivos em suas apresentações, a última atração do Natura Nós esbanjava espontaneidade, seja no papo entre os músicos, que pareciam combinar a próxima canção, seja na xícara de chá fumegante que o pianista Zach Gill carregava por onde ia. Johnson chegou a errar Slow down e justificou: “estou tentando o meu melhor”. Esta simplicidade percorria os arranjos e a postura de palco, tanto em seu introspectivo momento solo, com os hits Better together e Do you remember, quanto no fim do show, com a participação de G. Love e uma inesperada presença de Vanessa da Mata.

Jack Johnson. Foto: Laís Aranha.

A marca responsável pelo evento carrega na sua comunicação o tom da responsabilidade social e não foi diferente neste festival. No entanto, se o tema pode parecer desgastado aos olhos do consumidor, era inevitável notar um apanhado de pequenos e relevantes cuidados, tais como copos descartáveis, material informativo feito de papel reciclado e praça de alimentação com opções orgânicas. Se tais iniciativas eram esperadas em virtude da tônica do evento, há de se reconhecer a importância de outros cuidados nem sempre presentes em festivais do mesmo porte, como isolamento de isopor nos alicerces das tendas, sabonetes (da marca, obviamente) nas saídas dos banheiros, totens com preços visíveis, vários caixas espalhados pelo recinto e, aos apreciadores, uma cerveja na temperatura certa. Aliás, uma tenda destinada a distribuição de pulseiras aos maiores de 18 anos, logo na entrada, já dava uma boa impressão da organização do Natura Nós. Se há pontos negativos a serem notados, formaram-se grandes filas nos quiosques e praça de alimentação com o cair da noite e a chegada massiva do público, mas houve esforço visível para que isso não acontecesse, com o elevado número de opções distribuídas pelo espaço.

No fim das contas, a música predominou no Festival Natura Nós, como era de se esperar. Mas algo de responsabilidade social e sustentabilidade pareceu ser plantado, ao menos nos momentos em que testemunhei indivíduos procurando latas para descartar seus lixos e preocupação em fechar torneiras que haviam sido deixadas abertas. Teriam sido influenciados pela tônica do evento? Espero que sim.

Anote e Vá – Agenda Showlivre 20 a 29 de maio

Monique Maion @Ao Vivo Music

Monique Maion, considerada “a nova voz paulistana” pela revista Rolling Stone, apresenta no palco um show performático baseado no burlesco francês. Abrindo as apresentações da noite, Jambra Trio que apresenta as composições autorais do primeiro disco, Flor de Laranjeira.

Ao Vivo Music
www.aovivomusic.com.br
Rua Inhambu, 229, Moema.
Tel.: (11) 5052-0072
20 de maio (sexta-feira) – Jambra Trio a partir das 20h30 e Monique Maion a partir das 22h30
Couvert: R$ 20

Silvia Machete @Auditório Ibirapuera

Depois de receber o prêmio de Melhor show de 2010 dos críticos da APCA (Associação dos Críticos Paulistas de Artes), Silvia Machete volta à São Paulo, agora para gravar o DVD do show Extravaganza. O DVD registra a passagem da turnê por SP, que segue até o final de 2011 e incluirá várias capitais do país, além de passagem por Portugal no segundo semestre.

Auditório Ibirapuera
www.auditorioibirapuera.com.br
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 2 do Parque do Ibirapuera.
20 de maio (sexta-feira) – 21h.
Tel.: 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br
Ingressos: R$ 15 a R$ 30

Silvia Machete

Moinho @Studio SP

Formado por três “veteranos” da música pop brasileira (Emanuelle Araújo, Lan Lan e Toni Costa), o grupo concebido no Rio de Janeiro transita pelo samba e pela música baiana com claros acentos pop.

Studio SP
Rua Augusta, 591 – Consolação
Tel/Fax: (11) 3129.7040
studiosp@studiosp.org
21/maio (sábado) – Porta 23 hs / Show 1 h
Ingressos: R$ 30
DJ Tatá Aeroplano

Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França @SESC Pinheiros

O compositor e violonista Kiko Dinucci, a cantora Juçara Marçal e o compositor e saxofonista Thiago França lançam o disco Metá Metá O trio investe em arranjos econômicos que ressaltam elementos melódicos e signos da música de influência africana no mundo.

O show integra a noite “Bagagem Ao Vivo”, que traz ainda o show do disco “SiMBiOSE” do Projeto Axial e uma performance audiovisual do coletivo de VJs e produtores musicais Embolex, com mash-ups do projeto colaborativo “Caixa Prego” e participação do baixista Dengue (Nação Zumbi).

22/maio (domingo), às 18h
SESC Pinheiros
Teatro Paulo Autran
Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros
Tel.: 11 3095-9400
Ingressos: R$ 5 a R$ 20

Mano Brown e Lino Krizz @Vegas Club

A festa Origens Hip Hop chega à sua quarta edição e apresenta o show do Mano Brown, integrante Racionais MCs. Enquanto o novo trabalho do grupo está no forno, Mano Brown segue com projetos paralelos. Na noite dessa quarta-feira, Mano Brown apresenta o som dançante ao lado do cantor Lino Krizz.

Vegas Club
www.vegasclub.com.br
Rua Augusta, 765, Consolação
Tel.: (11) 3231-3705
25 de maio (quarta-feira) – a partir da 0h
Ingresso: R$ 25 a R$ 30

Walmir Borges @Na Mata Café

Último show da temporada do músico no Na Mata Café tem participações especiais de Flávia Santana, Vanessa Jackson e Tabatha Fher no projeto especial “Elas Cantam Walmir Borges”.
O público poderá conferir músicas do recém lançado CD Sala da Música mais clássicas de Milton Nascimento e Jorge Ben Jor, entre outras músicas.

Na Mata Café
Rua da Mata, 70
Tel.: 3079-0300
25/maio (quarta-feira) –a partir das 23h
Ingressos: Mulher: R$40 (entrada) Homem: R$50 (entrada)

Wilson das Neves @Anhanguera dá Samba

Inimigos do Batente convidam Wilson das Neves, um dos maiores percussionistas do mundo -, já gravou com Sarah Vaughan, Michel Legrand, Roberto Carlos, Chico Buarque, Eumir Deodato, e muitos outros.

27 de maio (sexta-feira) – a partir das 22h
Rua dos Italianos, 1261
Bom Retiro
Ingressos: R$ 15
Tel.: 11 3361-1799

Los Porongas e outros @Skina Bar

Los Porongas fará um show na cidade de Osasco com músicas do novo CD O Segundo Depois do Silêncio e com canções do primeiro álbum. O show terá a participação das bandas Antiqua e Versares.

Participação das bandas Versares e Antiqua
28 de maio (sábado) – 22h
Skina Bar
Rua Jerônimo Silveira Almeida, 76 – Osasco
Entrada: R$ 15

15º Cultura Inglesa Festival
Alan McGee @Studio SP
Glen Matlock @Beco 203

Alan McGee-> Creation Records= Quem “explodiu” Oasis, My Bloody Valentine, Jesus and Mary Chain, Primal Scream, Boo Radleys, Teenage Fanclub..
Glen Matlock-> Sex Pistols
Preciso dizer mais?

Bate-papo – Cena Musical Britânica, com Alan McGee
27/mai às 15h
Studio SP
Rua Augusta, 591, São Paulo
Gratuito. Retirar ingresso 1h antes no local. Sujeito a lotação do espaço.

DJ Alan McGee e Lucio Ribeiro
27/mai, às 23h
Studio SP
Rua Augusta, 591, São Paulo
Ingressos: R$ 25

DJ Glen Matlock
28/mai, às 23h
Beco 203
Rua Augusta 609
Ingressos: de R$ 20 (lista) a R$30 (porta)

15º Cultura Inglesa Festival
De 27 de maio a 12 de junho
Programação completa: festival.culturainglesasp.com.Br

Gang of Four e outros @Parque da Independência.

Gang of Four apresenta seu último álbum Content, o sétimo da carreira e primeiro de inéditas desde a reunião da banda em 2004. Da formação original, estarão presentes o guitarrista Andy Gill e o vocalista Jon King. A nova cena britânica está representada pelo Blood Red Shoes e Miles Kane mostram como a influência do punk e do pós-punk foi digerida e traduzida em versão século 21. O “Música no Parque” começa com as bandas Brotherhood, Cadillac Bourbon e Lady Luck. A primeira foi a vencedora festival anual com bandas de alunos da Cultura Inglesa, e as outras duas, também participantes desse festival, foram escolhidas através de votação pelos alunos da escola. Os alunos também escolheram as duas bandas nacionais que irão interpretar o rock britânico: Cachorro Grande tocando The Who e The Mockers mostrando o repertório da fase pós-1966 dos Beatles. As apresentações fazem parte da programação da 15º Cultura Inglesa Festival.

Música no Parque
Quando: 29/05, das 11 às 20 horas
Onde: Parque da Independência: Av. Nazareth, s/n, Ipiranga, São Paulo
Gratuito.

Gang of Four

Europa, Festivais e Jacaré freestyle com o Garotas Suecas

Garotas Suecas leva Escaldante Banda à Península Ibérica

Garotas Suecas representará o Brasil no festival Primavera Sound e fará shows ao lado de talentos da nova geração do soul; álbum de estreia, Escaldante Banda, será lançado na próxima semana pelo consagrado selo espanhol Vampi Soul.

Garotas Suecas no Estúdio Showlivre

Para promover o lançamento, o grupo parte para seis apresentações na Espanha. Duas delas acontecem em um dos principais festivais de música do planeta, o Primavera Sound, realizado em Barcelona.

Única atração brasileira do evento, o Garotas Suecas participa da festa de abertura, dia 24 de maio, ao lado dos consagrados Charles Bradley & The Menahan Street Band. Já no dia 27 os paulistanos se unem ao crooner Eli “Paperboy” Reed.

A banda também passam por festivais e casas de show em Valencia, Zaragoza, Madrid e Salamanca, além de Braga, em Portugal.

Além de Escaldante Banda, o selo ainda lança um compacto exclusivo, com a pedrada “Mercado Roque Santeiro”, do mais recente álbum do grupo, no lado A, e o hit “Codinome Dinamite”, do terceiro EP do Garotas Suecas, no lado B.

Outra novidade, no ar em breve, o clipe de “Banho de bucha”.
Por enquanto, teaser com direito a participação de Jacaré. Sim, ele mesmo.